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Hiperciclos Catalíticos no Quadro Darwiniano
HYC-1979Lesson 2: Catalytic, Which, System
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Os hiperciclos catalíticos são a realização molecular de um sistema darwiniano: um ciclo fechado de unidades autorreplicativas em que cada membro acelera cataliticamente a reprodução do seguinte. Como cada unidade depende de um parceiro a jusante, a entidade que se reproduz não é nenhuma molécula isolada, mas o próprio ciclo, que se reproduz coletivamente e pode, por isso, ser tratado como um replicador de ordem superior.

Pré-requisitos darwinianos1Metabolismofluxo de energia e matéria2Autorreproduçãocópia de moldes3Mutabilidadevariação de sequênciaHiperciclo Catalíticouma ligação fechada deunidades autorreplicativasdescrito porSeleção soborganização constanteWᵢᵢ : vantagem líquida de replicaçãoE(t) : produtividade excedente médiadxᵢ/dt = Wᵢᵢ − E(t)limitado porRestriçõesQuase-espécieo equilíbrio mutação–seleção produzuma nuvem em torno de um tipo dominanteLimiar de erroa fidelidade deve manter-se alta em relação aa informação armazenadao acoplamento coletivo não o eliminaAutorreprodução coletivanenhum membro isolado é autossuficientecada unidade catalisa a seguinteR1R2R3

Por que um ciclo de replicadores conta como um sistema darwiniano

A evolução molecular não é automática. Requer que três condições se verifiquem simultaneamente, e o hiperciclo é interessante precisamente porque fornece todas as três através de um único dispositivo estrutural: o ciclo catalítico fechado.

  • Metabolismo: o sistema deve captar energia livre e matéria para impulsionar a síntese dos seus próprios componentes. Num hiperciclo, o produto catalítico de cada membro alimenta o trabalho sintético de outro membro, pelo que o ciclo mantém um fluxo interno de matéria e energia.
  • Autorreprodução: o sistema deve produzir cópias de si próprio. Aqui, a unidade de reprodução é o ciclo, não a molécula isolada: cada membro potencia a replicação do seguinte, pelo que o ciclo no seu todo se autorreproduz coletivamente, enquanto os membros individuais não são autossuficientes.
  • Mutabilidade: os moldes devem ser copiados com erros ocasionais, gerando variação hereditária. Sem variação de sequência, não há nada sobre o que a seleção possa atuar, e o ciclo seria um estado estacionário químico e não um sistema em evolução.

Um hiperciclo satisfaz, portanto, simultaneamente os pré-requisitos de metabolismo, autorreprodução e mutabilidade e é, nesse sentido preciso, um sistema darwiniano ao nível molecular.

Seleção sob organização global constante

Para descrever como esse sistema é selecionado, o ciclo é colocado num regime de organização global constante: a concentração total de replicadores é mantida fixa, pelo que a competição se exprime como uma redistribuição de quotas, e não como um crescimento ilimitado. A cada variante i é então atribuído um valor seletivo Wii, a sua vantagem líquida de replicação, e a dinâmica assume a forma familiar

( Wii − E(t) ),    E(t) = ( Σk Wkk ) /

Duas características deste par de equações são importantes para o hiperciclo. Em primeiro lugar, Wii é a vantagem líquida da variante i, pelo que um mutante com melhor suporte catalítico do seu parceiro hipercíclico adquire um Wii maior sem qualquer alteração no ambiente. Em segundo lugar, E(t) é a produtividade excedente média, a média populacional dos valores seletivos; é subtraída igualmente a todas as variantes e é exatamente o que mantém a concentração total constante. Como E(t) é uma média populacional, sobe à medida que as variantes inicialmente mais aptas se propagam, e a vantagem de crescimento dessas variantes é progressivamente erodida até que a distribuição se torne estacionária.

O verdadeiro alvo da seleção é a quase-espécie

A seleção não atua sobre uma única sequência ótima. A mutação converte continuamente variantes umas nas outras, e o equilíbrio mutação-seleção produz uma distribuição organizada e estável de sequências centrada num tipo dominante: a quase-espécie. A organização hipercíclica acrescenta uma camada adicional de acoplamento coletivo, porque as unidades acopladas não são sequências individuais, mas quase-espécies inteiras, cada uma fornecendo suporte catalítico à seguinte. A explicação escala, portanto, da quase-espécie como unidade de seleção molecular ao hiperciclo como unidade de seleção de segundo grau ou superior.

O limiar de erro não é contornado

A organização coletiva não flexibiliza a exigência de fidelidade que restringe qualquer replicador. A manutenção reproduzível da informação exige que a fidelidade de cópia seja elevada em relação à quantidade de informação armazenada: acima de uma taxa de mutação crítica, a nuvem de mutantes alarga-se sem limite e a distribuição organizada dissolve-se. Esta mesma condição aplica-se a todos os membros do ciclo e, dado que os membros dependem uns dos outros cataliticamente, a sua perda de informação é cooperativa. O hiperciclo herda o limiar de erro dos seus componentes; não o evita.

Erro comum
Não interprete o hiperciclo como uma forma de contornar o limite de fidelidade. A catálise coletiva altera a forma como as vantagens de replicação se distribuem entre os membros e, por conseguinte, altera cada Wii, mas deixa intacto o equilíbrio mutação-seleção de cada componente. Um ciclo cujos membros já não podem ser copiados fielmente não é uma unidade evolutiva mais robusta; é uma unidade em dissolução.